Você diz não o tempo todo para o seu filho?

Não, uma palavra a ser usada sem exageros

Na virada do primeiro ano, seu filho está ensaiando os primeiros passos. Com isso, amplia-se a quantidade de coisas que pode fazer – e, na mesma medida, as que não pode fazer. Cada nova aventura será acompanhada do olhar preocupado dos pais e dos inevitáveis nãos – palavrinhas chatas que a criança logo associa a decepções. Melhor que seja assim. “O não ajuda a criança a construir sua identidade, mostra que na vida existem limites e deixa claro quais são”, explica a psicanalista Isabel Kahn.

Ninguém discute que as proibições são imprescindíveis. A questão é que não se pode abusar delas, sob risco de cair em descrédito. Segundo a psicóloga, existem, de um lado, as boas negativas, aquelas que têm razão de ser. Por exemplo, se a criança está prestes a enfiar o dedo na tomada, os pais precisam impedir. Além de evitar um acidente, a criança saberá que não deve fazer algumas coisas de jeito nenhum, mesmo que ainda não saiba por quê. Do outro lado estão as negativas sem convicção. Exemplo: o pai pede ao filho que se afaste do computador, mas não faz nada para reforçar a ordem nem checa se foi cumprida. Esse tipo de não pode prejudicar o desenvolvimento. A negativa sem critério, dirigida a qualquer ato da criança que está começando a explorar o mundo, leva-a se intimidar com as coisas à sua volta.

Desgaste. Pais que distribuem negativas em exagero podem enfrentar outro problema. “A repetição exagerada do não, sem qualquer consistência, pode levar ao desrespeito total pela autoridade dos pais e pelos limites em geral”, adverte a psicóloga. O mecanismo de desgaste da autoridade paterna funciona assim: os pais podem nem estar atentos ao que a criança apronta, mas, a cada movimento suspeito, disparam um não por precaução. A criança insiste e recebe permissão, ou então ignora o limite dado e faz o queria, apesar da negativa. Com o tempo, aprende que não precisa ligar para o não. O ideal é que, antes de dizê-lo, os pais pensem duas vezes e avaliem se a negativa é de fato necessária.

Fonte: Isabel Kahn, psicanalista, terapeuta familiar e professora da Faculdade de Psicologia da PUC/SP


 
 

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